Registros do I Encontro Internacional de Folkcomunicação

Na manhã da quinta-feira, 10 de abril de 2014, no Instituto Universitário da Maia (ISMAI), na cidade do Porto (Portugal) aconteceu o I Encontro Internacional de Folckcomunicação – “Registrar, Investigar e Partilhar”.

Dando início à abertura do evento, o professor Dr. Itamar Nobre, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), fez uma breve retrospectiva dos encontros e eventos já realizados pela Rede de Estudos e Pesquisa em Folkcomunicação e discorreu sobre a biografia de Luiz Beltrão, fundador da teoria, avanços nos estudos da Folkcomunicação no Brasil e o andamento das pesquisas na área.

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Mesa temática do I Encontro Internacional de Folkcomunicação

A primeira sessão, “Folkcomunicação – Raízes e Sociedade”, foi mediada pelo professor Dr. da Universidade de São Paulo, José da Silva Ribeiro, que falou sobre os desafios e as inquietações provocadas pelos novos estudos neste campo. Em seguida, o professor Dr. emérito da Universidade do Porto, Arnaldo Saraiva, trouxe em suas reflexões os apontamentos extraídos da pesquisa “A Citação e a Excitação Proverbial”, na qual fez um resgate dos provérbios populares portugueses. O professor Phd em História Antiga e Arqueologia, do Instituto Galego de Estudos Celtas (IGEC), Alberto Pena, apresentou os resultados dos seus estudos sobre comunicações representativas nas pinturas rupestres no território da Galícia.  Dando continuidade, o pesquisador Ms. Élmano Ricarte, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN/BR),  apresentou um breve resumo de sua dissertação de mestrado sobre as festas populares no fotojornalismo e abordou as reflexões obtidas na investigação sobre o significado das cruzes nas estradas brasileiras.

Após o intervalo, foi dado prosseguimento à sessão com alguns apontamentos extraídos da pesquisa da doutoranda em literatura da Universidade do Porto, Isabel Rio Novo, que apresentou as características da literatura com diferentes modos de produção, circulação e recepção textuais fora do eixo da dita literatura consagrada. Assim, para finalizar a sessão, a pós-doutoranda da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Maria Isabel Amphilo, apresentou sua investigação pautada nas ferramentas folkcomunicacionais.

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Mesa de encerramento do I Encontro Inernacional de Folkcomunicação

Na segunda mesa, mediada pelo professor Dr. António Hohlfeldt, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, a professora Dra Fátima Nunes, do Instituto Universitário da Maia (ISMAI), discorreu sobre sua investigação “Blogue, Para literatura e Cultura Popular: o caso de Crônica do Autocarro (2013)”. Na mesma mesa, estava presente o professor Dr. Manuel Jorge Marmel, que propôs uma reflexão acerca da literatura oral, marginal e popular. Em seguida, a professora Dra. Eliane Mergulhão, da Universidade Paulista (UNIP), apresentou parte dos resultados de sua pesquisa “Um Salvador do Naufrágio: folkcomunicação, história e memória na literatura de Luiz Beltrão”Dando continuidade ao evento, o professor Carlos Nogueira,  da Universidade Nova de Lisboa, discorreu acerca da literatura de cordel com ênfase nos folhetos de Manoel Monteiro. Segundo o pesquisador, o cordel é uma importante ferramenta de manifestação da cultura popular brasileira.  Em seguida, a professora Regina Cunha, da Universidade do Minho, evidenciou alguns registros e estudos da teoria da Folkcomunicação proposta pelo brasileiro Luiz Beltrão, obtidos nos encontros internacionais realizados pela Federação das Associações Lusófonos de Ciências da Comunicação – LUSOCOM.  Mais adiante, o Pe. António Fontes falou sobre a análise do Jornal de Barroso, em que buscou recuperar a identidade do povo na urgência pelo resgate das memórias contidas nos festejos, nos discursos, nos elementos peculiares que manifestam a cultura popular da região de Barroso (Portugal), local onde circula este jornal. Finalizando a sessão, a professora Dra. Conceição Lopes, da Universidade de Aveiro, trouxe em sua fala as análises realizadas a partir do processo de comunicação humana nos festejos populares religiosos.

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Atividade cultural do evento

Na mesa de encerramento do I Encontro Internacional de Folkcomunicação, estiveram presentes o professor Dr. José Ribeiro, o professor Dr. Antônio Hohlfeldt,  a professora Dra. Célia Vieira e o professor  Dr.  Moisés Martino. No primeiro momento, a professora Célia discorreu sobre as novas perspectivas de pesquisa na Folkcomunicação com estudos transculturais e multidisciplinares. Assim, segundo ela, há uma necessidade de consolidação de uma nova linha de estudo da cultura europeia, sul-americana e africana, em que possa haver uma ampliação das pesquisas e proporcionar um intercâmbio de saberes para além das fronteiras. Em um segundo momento, o professor Hohlfeldt falou sobre o profundo preconceito que ainda existe com as práticas de caráter popular – sejam elas na gastronomia, no campo da medicina (natural), na dança, na música, dentre outros.  Para tanto, há a necessidade, antes de tudo, de uma aceitação e reconhecimento da cultura popular. Além disso, em meio à transdisciplinaridade, há uma busca pela articulação das diferentes áreas com o campo da Comunicação.

No terceiro momento, o professor Moisés abordou os Estudos Culturais, além de registrar algumas manifestações  intituladas como “Patrimônio Cultural Imaterial” num resgate da memória – o próprio Fado foi classificado como tal. E, para finalizar a mesa, o professor Dr. Luís Humberto Jardim Marcos apresentou uma reflexão sobre os novas rumos a serem adotados nos estudos Folkcomunicacionais a partir dos olhares que surgiram do I Encontro Internacional, das produções científicas em constante difusão, da ampliação da teoria folkcomunicação, seguindo a premissa do evento “Registrar, Investigar e Partilhar”. Ademais, o professor falou do pioneirismo do Brasil nos estudos em Folkcomunicação, fazendo menção ao escritor potiguar Luís da Câmara Cascudo.

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Participantes acompanham ritual medieval no encerramento do I Encontro Internacional de Folkcomunicaçã

Para encerrar com entusiasmo e confraternização a presença internacional da teoria da Folkcomunicação, no final da tarde, houve uma queimada com esconjuros com a presença do Pe. Fontes e o senhor Vilar de Perdizes. Na ocasião, o Pe. realizou um esconjure que, segundo a lenda, quem bebe da queimada (bebida alcoólica a base de aguardente queimado e açúcar) fica protegido de feitiços e espíritos malignos. Assim, depois desta apresentação de uma crença popular de origem medieval, finalizou o I Encontro Internacional de Folkcomunicação em Portugal.

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