Rede Folkcom homenageia artista popular em conferência na UEPG

Valorizar um trabalho que transforma restos de ossos e elementos da natureza em arte e, ao mesmo tempo, incentivar a pesquisa de graduação em Folkcomunicação. Esta foi a proposta da Homenagem Pedro Ruta de Folkcomunicação, que premiou três melhores trabalhos entre os 13 produzidos por estudantes de graduação de diversas universidades brasileiras com obras exclusivas doadas pelo artista. A atividade aconteceu durante a X Conferência Brasileira de Folkcomunicação, realizada no período de 16 a 18 de agosto, na Universidade Estadual de Ponta Grossa.

A homenagem foi promovida pela Cátedra Unesco de Comunicação, Rede Folkcom, Departamento de Comunicação da UEPG e Centro Acadêmico João do Rio. A cada edição do evento, os organizadores homenageiam algum personagem com contribuição nas áreas da cultura e da comunicação. Neste ano, a idéia de atribuir o nome de Pedro Ruta ao prêmio partiu da relevância do trabalho do artista ponta-grossense para a cultura local.

O 1º lugar da Homenagem Pedro Ruta de Folkcomunicação foi para Dannyelle de Souza Nunes, Gabriella Gerber e Marilton Medeiros, estudantes de Rádio e TV da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com o trabalho “Comunicação Mercadológica no centro popular da cidade do Natal: o Alecrim”, orientado pela professora Maria Erica de Oliveira Lima. O 2º lugar coube a Manoel Moabis, aluno do curso de Jornalismo da UEPG, com o trabalho “Estratégias folkcomunicacionais de visibilidade comercial em oficinas mecânicas de Ponta Grossa”, sob a orientação da professora Cíntia Xavier. O 3º lugar foi conquistado por Guilherme Moreira Fernandes, estudante de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais, com o trabalho “Folkcomunicação e Mídia Digital: a luta simbólica pela cidadania nos espaços de homocultura virtual”, orientado por Paulo Roberto Figueira Leal.

A comissão avaliadora da Homenagem Pedro Ruta de Folkcomunicação foi composta por Maria Cristina Gobbi, pesquisadora representante da Cátedra Unesco de Comunicação, e pelas professoras Maria Lúcia Becker e Karina Janz Woitowicz, da UEPG. A partir de critérios como a adequação do referencial teórico-metodológico à pesquisa em folkcomunicação, criatividade, qualidade do texto e pertinência temática, foram atribuídas as notas de classificação dos melhores trabalhos na área.

Durante a entrega dos prêmios, foi exibido o documentário “Post Mortem”, sobre Pedro Ruta, produzido por ex-estudantes de Jornalismo da UEPG, em homenagem ao artista, que não pode comparecer ao evento por apresentar problemas de saúde.

Sobre o artistaPedro Ruta, 55 anos, descendente de húngaros, trabalha esculpindo raízes e troncos de árvores e ossos. Começou cedo na vida artística: com apenas 14 anos, ele saía para procurar na mata, perto da casa onde morava, troncos e raízes de árvores para esculpir e talhar. Era uma forma de distração e terapia para superar a morte do pai.

Durante 20 anos, sua obra ficou estacionada porque não conseguia viver apenas com trabalhos artísticos. Neste período, para aumentar a renda da família, Ruta consertava aparelhos televisivos. Com mais de 40 anos de estrada, ele acredita que o reconhecimento na arte não é fácil: “O artista fica rico depois que morre. Quem faz arte, precisa fazer com amor”, diz.

Os trabalhos com ossos começaram depois que o artesão sofreu um infarto. No começo, era chamado de louco – até mesmo pelos conhecidos – por procurar ossos na rua. Porém, Ruta conta que com o passar do tempo as pessoas passaram a achar isso normal: “é uma maneira de resgatar o que morreu”, diz. Na sua primeira exposição com os trabalhos em ossos, todos achavam que era algo macabro, mas, segundo o artista, isso mudou quando as pessoas se deparavam com pássaros, borboletas e outras coisas alegres feitas a partir dos ossos. Para o escultor, o que vale é o sentido do que se produz: “tenho que criar, criar e criar. Uma peça é sempre diferente da outra. Isso é gostoso e ajuda a crescer espiritualmente”.

Outra característica de Pedro Ruta é a preocupação com o meio ambiente, que se reflete não apenas na sua atuação no cuidado com o bairro onde vive, mas também na idéia de reciclagem que está presente em sua obra. Utilizando caroços de pêssego, castanha, penas de aves, sementes e outras matérias-primas, o escultor produz obras que demonstram um modo singular de se relacionar com a arte.

Há três anos, desde que seu problema no coração se agravou, Ruta não produz mais peças artísticas. Mas todas as suas obras já foram expostas em lugares como Sesc, Universidade Estadual de Ponta Grossa e Secretaria Municipal da Cultura.

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