Pesquisadora da Rede Folkcom conquista prêmio nacional de jornalismo

Foto: Beatriz Dornelles

A pesquisadora da Rede Folkcom, Beatriz Dornelles, professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), foi agraciada com o Prêmio Adelmo Genro Filho (PAGF), na categoria Pesquisador Sênior, ofertado pela Associação Brasileira de Pesquisadores de Jornalismo (SBPJor).

Criado pela SBPJor, em 2004, o PAGF é destinado a pesquisadores que têm se dedicado a trabalhos acadêmicos produzidos nas universidades ou nos centros/institutos de pesquisa. A principal intenção é reconhecer esses pesquisadores, a qualidade de seus trabalhos e suas contribuições para a consolidação do campo da pesquisa em jornalismo.

A categoria Sênior é julgada pela diretoria executiva e pelo conselho científico da SBPJor. Dentre os vencedores, nesta categoria, desde a criação da premiação, destacam-se os estudiosos Muniz Sodré, Eduardo Meditsch e José Marques de Melo (in memorian). Além desta categoria, o PAGF premia, também, outras três – iniciação científica, mestrado e doutorado.

A professora Dorneles tem auxiliado os jornais do interior, no estímulo à realização de projetos que visem a educação de leitores e comunidades. A ênfase é dada à importância da imprensa, especificamente agora com a transição gradual do impresso para o digital; exigindo uma percepção aguçada diante do volume e da qualidade de notícias que são veiculadas. Neste âmbito, o jornal é caracterizado como meio que viabiliza a democratização e a representação das reivindicações dessas comunidades, trazendo contribuições ao jornalismo participativo e comunitário.

Para a pesquisadora, a premiação resgata a confiança na importância do seu trabalho para a comunicação, principalmente para o público que tem se engajado em projetos que buscam a permanência dos jornais diários. “Temos muitas histórias de jornais impressos que tiveram ajuda da comunidade em momentos muitos difíceis, prestes a fechar, o que não deixa de ser, nesse momento, uma realidade. Tenho me empenhado em auxiliá-los para que eles resistam, pelo menos daqui a uns dez, quinze anos. Então, o prêmio me resgata isso, a confiança de que isso é necessário, que é preciso educar os leitores, educar as comunidades, no sentido da importância para imprensa [comunitária], já que ela representa muito”, conta.

Entre os maiores destaques, sua pesquisa demonstra o relevante papel do jornalista do interior no resgate à identidade do seu povo, o que a grande imprensa comumente não faz nas capitais. Através de um olhar folkcomunicacional, suas pesquisas permitem perceber como esse povo interiorano mantém e ressignifica suas manifestações e expressões do folclore, da cultura popular. “Às vezes até me regozijo em ler os jornais e perceber como eles são responsáveis pelo que se sabe da cultura local. E da cultura, eu estou falando do folclore, das festas, daquilo que ainda é cultivado no interior e que, muitas vezes, na capital já perdeu a existência e já nem se fala mais. E isso tem o respaldo dos jornais em valorizar e divulgar essas festas folclóricas que ainda têm uma forte atração na população, nas cidades do interior”, declara Dornelles.

O incentivo à carreira de pesquisadores que prestam serviços relevantes às comunidades mais interioranas, muitas vezes com voz ocultada nos grandes meios de comunicação, serve de fôlego ao jornalismo participativo e comunitário e valoriza aqueles que investem seu tempo e conhecimento para a promoção de transformações sociais efetivas por meio das mídias.

A cerimônia de premiação, conforme portal da SBPJor, será realizada na Universidade Anhembi Morumbi, localizada na Rua Casa do Ator, 275, Vila Olímpia, São Paulo, no dia 7 de novembro, às 19h.

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