Novas perspectivas teóricas, arte e cultura popular marcam a Folkcom 2015

Entre os dias 10 e 12 de junho, foi realizada na Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá, a 17ª edição da Conferência Brasileira de Folkcomunicação (Folkcom 2015). O evento reuniu pesquisadores nacionais e estrangeiros para debater o tema “Folkcomunicação e pensamento decolonial na América Latina”.

Maria Eugênia Borsoni (Argentina), referência nos estudos da decolonialidade.

Cerimônia de abertura: Maria Eugênia Borsoni (Argentina), referência nos estudos da decolonialidade.

As mesas temáticas “Comunicação, cultura e artes: Folkcomunicação e decolonialidade na crítica do cânone moderno e ocidental na América Latina” e “Folkcomunicação, decolonialidade e questões de gênero: normatividade, diferença e subjetividade” compuseram a programação do primeiro dia. A cerimônia de abertura oficial – iniciada com a viola de cocho tocada por Habel dy Anjos – teve a presença da professora argentina Dra. Maria Eugenia Borsoni, convidada especial que abordou a “Decolonização dos saberes na cultura, nas artes e na comunicação”. Borsoni lançou aproximações entre a decolonialidade e a folkcomunicação, compreendendo ambas como espaços de desprendimento das macronarrativas relacionadas às humanidades e à comunicação. O pré-evento contou ainda com a oficina de Folkmarketing, ministrada pelo professor Dr. Severino Lucena Filho.

No dia 11, além dos proveitosos debates científicos, a programação cultural se destacou. Grupos de siriri, cururu e de choro, concerto de violões e tango, artes plásticas e performances movimentaram o Centro Cultural da UFMT. Outro momento especial foi promovido pelo Coletivo à Deriva com a atividade “Sombras que passeiam”, levando congressistas a um passeio pelo bosque da universidade, entoando canções e diálogos sob sombrinhas. Também como parte da programação da Folkcom 2015, a abertura da Mostra Fotográfica “Cidades folkcomunicacionais e territórios decoloniais: o folclore no espaço urbano brasileiro e latino-americano”, no Museu de Arte e Cultura Popular (MACP-UFMT), atraiu olhares não só do público da conferência. A mostra, sob a curadoria do Dr. Serafim Bertoloto, reuniu fotografias de 20 artistas e foi lançada simultaneamente com a exposição “O que é que a cidade tem?”, também sediada no MACP.

Grupo de siriri Flor de Atalaia.

Grupo de siriri Flor de Atalaia.

"Sombras que passeiam", atividade proposta pelo Coletivo à Deriva.

“Sombras que passeiam”, atividade proposta pelo Coletivo à Deriva.

Ainda no segundo dia, pesquisadores de distintas regiões do Brasil discutiram “Saberes e fazeres tradicionais: epistemes outras e ativismo na comunicação e na cultura contemporânea”, “Folkcomunicação, decolonialidade e epistemologias do Sul: intervenção e crítica social na comunicação e na cultura” e as “Poéticas dos sertões, cerrados e pantanais: abordagens folkcomunicacionais e decoloniais na comunicação e nas artes”. Na oportunidade, houve também lançamento de livros, entre eles, obras dos autores Cristian Aguilar, Eliane Mergulhão e Iury Parente, membros da Rede Folkcom.

O terceiro e último dia contou com a participação especial da antropóloga Dra. Luitgarde Cavalcanti, que contribuiu à discussão do tema “Saberes populares na modernização brasileira: histórias à margem da História?”. Na mesma manhã, o Instituto de Linguagens da UFMT centralizou as apresentações de trabalhos de pesquisadores nos GTs. À tarde, com a realização da assembleia geral da Rede Folkcom, houve a apresentação do relatório da gestão 2013-2015 e deliberações com participação dos sócios, como a eleição da nova logomarma da Rede. Posteriormente, painéis sobre “Pesquisas interdisciplinares nas Ciências da Comunicação e nas Ciências Sociais e Humanas” e “Pesquisa em rede” reuniram integrantes do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO-UFMT) e da Rede Folkcom.

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Encerramento com concerto-conferência de Roberto Corrêa.

O encerramento foi marcado pelo lançamento do Prêmio Tereza Halliday (com premiação dos melhores artigos de graduação e de pós-graduação), exibição do filme “Licor de Pequi”, leitura da carta do professor Dr. José Marques de Melo e a belíssima apresentação do conferencista Dr. Roberto Corrêa, que entoou canções ao som das violas tradicional e de cocho.

Yuji Gushiken ao lado de Maria Érica Oliveira, presidente da Rede Folkcom.

Para o Dr. Yuji Gushiken, organizador geral do evento e diretor científico da Rede Folkcom, “como exercício decolonizante, e que converge com a abordagem folkcomunicacional, o evento colocou em pauta a presença dos grupos historicamente marginalizados, que agora constituem uma nova geração de doutores-pesquisadores e que passam a representar, com muita competência, tais grupos no ambiente universitário brasileiro”. Yuji acredita que “a Folkcom Cuiabá 2015 buscou cumprir sua missão de desenvolver os debates sobre folkcomunicação e, mais ainda, acionar a folkcomunicação no entendimento e enfrentamento das questões sociais que se apresentam no mundo contemporâneo”.

A Rede Folkcom agradece de modo especial a equipe de organização local que, com competência e simpatia, organizou e recebeu a edição 2015, ampliando e sedimentando as pesquisas em torno da teoria beltraniana.

Fotografias e vídeos do evento podem ser acessados 1. na página oficial da Conferência no Facebook e 2. no perfil oficial da Conferência no Facebook.

Fotos: Júnia Martins

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