Maracatu Nação, Maracatu Rural e Cavalo Marinho: patrimônios culturais imateriais do Brasil

Manifestações culturais, o Maracatu Nação, o Maracatu Rural e o Cavalo Marinho receberam, em dezembro de 2014, o título de patrimônio cultural imaterial do Brasil. Concedido em votação unânime do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, o título amplia a visibilidade pública sobre os respectivos bens imateriais, assegurando-lhes maior apoio e reconhecimento.

Maracatu Nação. Foto: Marcelo Lyra.

Cortejo real do Maracatu Nação. Foto: Marcelo Lyra.

O Maracatu Nação (também conhecido como maracatu de baque virado) é uma manifestação cultural que apresenta conjunto musical percussivo e cortejo real que sai às ruas para desfiles e apresentações especialmente durante o carnaval pernambucano. Traz o rei e a rainha como personagens de destaque. De origem africana, a forma de expressão é composta em grande parte por brincantes da periferia metropolitana de Recife e congrega relações comunitárias, compartilhamento de práticas, memória e vínculos com o sagrado.

Caboclo de lança do Maracatu Rural. Foto: Cláudio Maranhão.

Caboclo de lança do Maracatu Rural. Foto: Cláudio Maranhão.

O Maracatu Rural* (também chamado de maracatu de baque solto ou de orquestra) é composto por dança, música e poesia. Está associado ao ciclo canavieiro da Zona da Mata pernambucana e aos trabalhadores dos canaviais. Com ritmos e personagens diferentes do maracatu nação, tem como principal representante o caboclo de lança, figura emblemática do carnaval de Pernambuco. Fusão de raízes indígenas, africanas, portuguesas e brasileiras, o maracatu rural foi inicialmente considerado menor quanto à riqueza cultural, pois apenas o Nação era considerado “original”. O reconhecimento como patrimônio imaterial brasileiro reforça sua importância para a cultura popular brasileira e pernambucana.

Cavalo Marinho no Ponto de Cultura Estrela de Ouro (PE). Foto: Júnia Martins.

Cavalo Marinho no Ponto de Cultura Estrela de Ouro (PE). Foto: Júnia Martins.

O cavalo marinho, por sua vez, é uma manifestação que envolve performances dramáticas, musicais e coreográficas. Os brincantes são, em geral, trabalhadores da Zona da Mata e atinge ainda a região metropolitana do Recife e de João Pessoa. No passado, tinha como palco os engenhos de cana-de-açúcar. Não há consenso sobre sua origem, sabe-se, contudo que a brincadeira pode durar até 8 horas e agregar cerca de 75 participantes. Durante a apresentação, são representadas cenas do cotidiano e do mundo do trabalho rural, com variado repertório de músicas, poesias, rituais e danças. Seus personagens estão classificados em três categorias: animal, humana e fantástica.

*Katarina Real e Guerra Peixe são considerados referências nos estudos dos maracatus. Os pesquisadores Roberto Benjamin e Osvaldo Trigueiro também contribuem para a pesquisa do maracatu rural. Benjamin afirma que inicialmente os brincantes eram só masculinos e muitos grupos tinham a denominação de “cambinda”. A palavra vem de Cabinda, região ao Norte de Angola, acima do Rio Congo.

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