Jornada Beltraniana 2018 discute legados de Luiz Beltrão e José Marques de Melo

Mesa de discussão sobre Luiz Beltrão e o seu legado

Foto: Flávio Santana

A Rede de Estudos e Pesquisa em Folkcomunicação (REDE FOLKCOM), juntamente com a Cátedra UNESCO/UMESP e a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) promoveu a sétima edição da Jornada Beltraniana. O encontro aconteceu no Centro Cultural José Marques de Melo, na sede da Intercom em Pinheiros, São Paulo/SP, na última quarta-feira, dia 8 de agosto.

Criada pelo professor José Marques de Melo, a Jornada Beltraniana acontece desde 2010 no dia de nascimento Luiz Beltrão, criador da Folkcomunicação que, por sinal, em 2018 completaria 100 anos de nascimento. Desde então, anualmente, acontece um encontro com estudantes, artistas populares, professores, pesquisadores e público em geral, a fim de discutir e ampliar os estudos da Folkcomunicação, única teoria da comunicação genuinamente brasileira.

Dentre os convidados, destacaram-se as professoras Fátima Feliciano, autora de “Trajetória de vida em Luiz Beltrão: Singular e Plural”, e Maria Isabel Amphilo, figuras importantes que têm pesquisado e escrito sobre Luiz Beltrão e a Folkcomunicação. Além delas, esteve presente também o artista de poéticas da visualidade, Elinaldo Meira.

A pesquisadora e pós-doutoranda Isabel Amphilo, da Universidade Metodista de São Paulo, destacou as primeiras observações de Beltrão e a criação da Folkcomunicação. Segundo ela, Luiz Beltrão valorizava a necessidade de o intelectual ouvir as massas populares em um período em que o governo, as elites e as políticas públicas eram direcionados às camadas elitizadas da população.

“Descobrir por que o povo não respondia afirmativamente as sugestões que lhes eram feitas foi a dedicação de Beltrão. Passou a investigar, então, as expressões populares de informação, manifestações folclóricas, práticas culturais, meios informais, como almanaques, que utilizavam uma linguagem mais denotativa, e os de expressão simbólica. É nesse universo simbólico da cultura que vem a complexidade da folkcomunicação. Ela já nasce com uma natureza interdisciplinar por conta dessa complexidade”, conta Isabel.

Roda de discussão sobre a vida e a obra de José Marques de Melo

Foto: Flávio Santana

Este ano, além de celebrar o centenário de Luiz Beltrão, o encontro reservou um espaço para debater sobre a vida e a obra do professor José Marques de Melo, falecido no dia 20 de junho deste ano.

A segunda mesa contou com o depoimento da Sra. Silvia Briseno Marques de Melo, viúva do professor. Emocionada, Silvia lembrou da atenção e confiança que o professor sempre teve com os estudantes durante sua vida acadêmica. “Ele [Marques de Melo] nunca deixou de atender os alunos. Quando eu chegava em casa encontrava três, quatros alunos com ele. Já que não tinha dado tempo na Universidade, ele levava para terminar a conversa durante o jantar”, conta.

Na discussão, estavam presentes também a professora da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e diretora administrativa da Intercom, Sonia Jaconi, o professor titular sênior do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) e ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP), e atual membro da Academia Brasileira de Ciências, Adolpho José Melfi, além de estudantes, pesquisadores e professores que estiveram com José Marques de Melo no último semestre.

O coordenador de projetos da Cátedra UNESCO/UMESP, o professor Antônio Andrade, esclareceu que sua convivência de quarenta e um anos com Marques de Melo foi marcada na década em que se instaurava o regime militar e do importante papel da Universidade Metodista na época.

“A Metodista dava abrigo para muita gente naquele período crítico de autoritarismo e, quando já se discutia a criação da Intercom, ele [Marques de Melo] já estava pensando na pós-graduação na área de Comunicação. Aliás, naquela época no Brasil eram poucos cursos de comunicação”, disse Andrade.

A presidenta da Rede Folkcom, a professora Eliane Mergulhão, que também fez parte do momento, frisou a importância de Marques de Melo para o desenvolvimento dos estudos da comunicação, da sua habilidade em incentivar as pessoas a sempre buscar seus objetivos, a produzirem pesquisas, e ainda destacou seu carisma com a juventude e com a profissão.

Foto: Agência Fervo (Intercom)

“O professor Marques se realizava em participar dos eventos, era a vida dele, é isso que temos que deixar como exemplo, a sua figura como uma pessoa exemplar. Por onde ele passou, na Universidade de São Paulo, na Universidade Metodista, no Brasil ou no exterior, ele só deixou coisas boas, eu tenho certeza. Eu, como presidente da Rede Folkcom, espero continuar, mesmo não sendo uma tarefa fácil”, destacou Eliane.

A Jornada Beltraniana 2018 terá um segundo momento no dia 3 de setembro, em Joinville/SC, durante o 41º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. A coordenação geral dos dois momentos está a cargo do vice-presidente da Rede Folkcom, Guilherme Moreira Fernandes, e da diretora financeira da Rede Folkcom, Sonia Regina Cunha. Confira a programação oficial neste link.

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