 O XIV Congresso Brasileiro de Folclore foi um sucesso. Realizado pela Comissão Capixaba de Folclore/Comissão Nacional de Folclore, com jovens folcloristas, aconteceu no período de 24 a 29 de novembro na UFES-Universidade Federal do Espírito Santo no campus de Goiabeiras. Teve como tema Folclore: diversidade cultural e politicas públicas para as culturas populares no século XXI.
Na parte academica, a programação realizou 22 simpósitos temáticos com a participação de pesquisdores da UFES e de todo o país, três conferencias maiores e cinco mesas-redondas que homenageram folcloristas capixabas e nacionais. Foram realizadas ainda cinco mesas sobre temas que abordaram as comunidades tradicionais dos índios, pomeranos, quilombolas e comunidades ciganas.
Na parte cultural, no Centro de Vivência, aconteceram mostra de vídeo, feira de gastronomia, artesanato e apresentações folclóricas de grupos do Espírito Santo, Recife, Minas Gerais, Aracaju e Pará.
No domingo, dia 29 de novembro, no encerramento do congresso, houve o II Desfile da Identidade Capixaba, no centro de Vitória com 60 grupos folclóricos.
Assembléia das Comissões
Durante os dias do congresso na parte da tarde houve assembléia das
Comissões Estaduais de Folclore - estavam presentes 20 comissões, ente
as quais a nossa CMFL.
O primeiro ponto foi debate e aprovação do novo estatuto da Comissão
Nacional de Folclore. Como o estatuto estava imbuído de muito
autoritarismo e intervicionismo nas comissões estaduais foi feita uma
revisão e foi mudado os pontos autoritários. Dois dias de estudos e
debates melhoraram o estatuto que foi lido por todos e aprovado após
discussões.
O segundo ponto foi a avaliação das ações das comissões estaduais de
folclore. cada comissão, através de seu presidente ou representante,
fez relato (com Data Show etc) para todos. Em nome da CMFL, o
secretário Sebastião Breguez falou das ações da Comissão Mineira de
Folclore no período 2007-2009 (com base na anotações nossas que estavam
no seu pen-drive, não teve dificuldades de fazer isto). Explicou que
estavam com sede no Centro de Tradições Mineiras-CTM, mas com
dificuldade financeiras para realizar atividades culturais-científicas
como editar o jornal CARRANCA e a Revista da CMFL.
É bom observar que a maioria das comissões estaduais de folclore não
tem sede própria, a sede funciona na casa do presidente e que em
muitas, os sócios não contribuem nem com a anuidade. Elas funciona com
verbas municipais, estaduais e federais. A do Ceará, por exemplo, tira
5% das verbas que recebe para eventos (acadêmicos ou culturais) para
pagar a gestão administrativa: pagar telefone, despesa de correio,
pessoas etc.
Outro ponto que todos destacaram foi a morte dos mais velhos. Muitas
comissões estão perdendo seus membros fundadores e antigos. Os tempos
mudaram, vivemos numa era de novos paradigmas e visões mais abertas com
a modernidade. Assim, as comissões, com exceção da CMFL, tem adotado
estratégia de sobrevivência, mudando seu estatuto e abrindo a entrada
para estudantes, pessoas sérias e realmente interessadas no estudo e
preservação do folclore. Foi dado exemplo da Comissão Pernambucana de
Folclore, presidida pelo Prof. Dr. Roberto Benjamin, que está recebendo
como sócio efetivo desde estudantes, a praticantes do folclore e
interessados nos estudos e prática do folclore. Cobra anuidade de todos
e tem uma centena de jovens que participam a ajudam nas atividades
academicas e culturais. Com isto, estão formando novas lideranças para
substituir os velhos que estão partindo. Este é um ponto para avaliar,
discutir e redefinir nas ações das comissões estaduais. A Comissão do
Paraná, por exemplo, com a morte de todos os mais antigos, acabou e
está sendo ativada por um grupo de jovens pesquisadores que estavam no
congresso.
Houve votação do novo estatuto, que foi aprovado após modificações e da
taxa de anuidade que as comissões estaduais devem pagar à comissão
nacional. Foi aprovada a taxa anual no valor de R$120,00 (cento e vinte
reais) - dez reais por mês.
Ações Aprovadas
A partir do trabalho desenvolvido com intensidade nos últimos pela
UNESCO em prol da preservação do conhecimento e das técnicas dos
Mestres do Saber Popular que estão morrendo, foram articuladas algumas
ações pela Comissão Nacional de Folclore com apoio das comissões
estaduais.
O Prof. Dr. José Jorge, da Universidade de Brasília, um dos
conferencistas, falou das ações e dos movimentos de cidadania que
estão acontecendo no mundo e no Brasil. Denunciou as práticas
'racistas' do MIC-Ministério da Cultura que contrata shows para o povo,
por exemplo, de Ivete Sangalo, Caetano Veloso ou Cirque du Soleil e
paga milhões de reais. E quando contrata grupos populares conhecidos
paga milo reais ou dois mil. Esta é uma prática que contraria as
resoluções da UNESCO e cartas dos últimos congressos de cultura popular
no mundo e no Brasil.
Foi, então, proposto e aprovado moção de desagravo às decisões do MINC
e ações de interperlação jurídica para impedir isto com ampla
divulgação na imprensa.
Outra ação aprovada foi de impedir que o IPHAN decida por CULTURA
IMATERIAL por não ter, em sua organizações, especialistas do saber
imaterial. Eles são especialistas e cultura material.
Mestres Populares
O Prof. José Jorge informou aos presentes que a UNB, da qual é
professor, está contratando Mestres do Saber Popular, de mérito
conhecido, para lecionar como Professor-Visitante com o o mesmo salário
de professor-doutor. Ele informou que também a UFMG está fazendo isto
na área de Belas Artes. Disse que está prática já é comum nos países do
Primeiro Mundo que querem manter as técnicas e conhecimento dos mestres
populares que, em muitos casos, não tem livros publicados e, portanto,
sem memória de seu trabalho artístico-científico.
Estes são, em síntese, os principais pontos do XIV Congresso Brasileiro
de Folclore de Vitória, ES, novembro 2009. Em 2010, será realizado
Seminário Nacional de Folclore em Sã Cristovão, Sergipe e em 2011, o XV
Congresso Brasileiro de Folclore será em São Paulo
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