 A Universidade Estadual do Rio Grande do Norte UERN - reuniu sua Assembléia universitária, em Mossoró (RN), na noite de 26 de setembro de 2008, para comemorar 40 anos de fundação e homenagear personalidades da cultura brasileira.
Presidido pelo Reitor Milton Marques de Medeiros, o ato se realizou no Teatro Municipal, contando com a presença do Secretário da Educação do Estado, representando a Governadora do Rio Grande do Norte, Wilma Farias, e de outras autoridades regionais.
Agraciado com o título de Doutor /Honoris Causa/, o Prof. Dr. José Marques de Melo, docente fundador da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e atual diretor da Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação, foi escolhido pelos homenageados para representá-los, fazendo a saudação de agradecimento à Assembléia Universitária da UERN.
Siga lendo a notícia para ver o discurso proferido pelo professor Marques de Melo:
Aos olhos de visitantes estrangeiros, cujos claustros acadêmicos
festejam séculos de existência, pode parecer precoce a iniciativa de
celebrar os 40 anos de uma universidade,.
Mas, no Brasil, onde
temos sido testemunhas oculares de uma História tão recente quanto
enigmática, faz todo sentido comemorar as décadas vencidas.
Como
percebeu claramente o sábio potiguar Luis da Câmara Cascudo, trata-se
de simbolismo que evidencia a desesperada vontade de viver de
instituições vitimadas pela castração intelectual durante os primeiros
séculos da nossa existência como civilização.
Não podemos
esquecer que o Brasil só agora, em 2008, está comemorando o
bicentenário da sua imprensa e somente em 2034 vai celebrar o primeiro
centenário da sua universidade.
Vivendo num país que, não
obstante os avanços e conquistas do último século, mantém na ignorância
vastos contingentes da sua população, sem saber ler, escrever, contar
ou argumentar, temos necessidade de festejar ocasionalmente a
sobrevivência dos espaços cognitivos e dos projetos culturais.
Vivendo
numa sociedade que fomenta a cultura do silêncio, cuja mídia tem sido
manietada frequentemente pela incúria da elite política, mais
preocupada em pilhar o erário público do que em converter a educação, a
ciência e a tecnologia em prioridades nacionais, só nos resta celebrar
efemérides como se fossem antídotos para prevenir a síndrome da mordaça.
Vivendo
num tempo cuja velocidade implacável produz a sensação de anacronismo
material ou de obsolescência espiritual, nada mais oportuno do que
fazer uma parada para construir ícones, premiar virtudes, reconhecer
méritos.
E àqueles que generosamente são distinguidos com a
benevolência e o carinho desta Universidade só nos resta agradecer a
homenagem que nos tributam nesta confraternização acadêmica.
Desejamos
que, a cada década, esta Assembléia Universitária volte a se reunir,
para festejar êxitos, fortalecer alianças com a sociedade, sinalizar
aos mais jovens, com humildade e lealdade, alegria e esperança.
Pois
a Universidade tem uma missão irrenunciável, que não se esgota na
rotina de ministrar aulas, expedir diplomas, promover congressos,
lançar publicações.
Trata-se de dar conseqüência àquele conjunto
de metas que Luis da Câmara Cascudo (/Universidade e Civilização/,
Natal, Editora Universitária, 1959), melhor do que ninguém, enunciou
com tanta clarividência, auto-estima, universalidade.
A
Universidade deve valorizar, estudar, defender a Civilização do Brasil.
(...) Conhecê-la, amá-la, compreendê-la pela pesquisa ... (...)
Ter
o sentimento de solidariedade humana, a compreensão imediata de fatores
universais que atuam perto de nós e em nós mesmos. Sentir-se parte do
Mundo, não entre os homens, mas com os homens. (...)
Valorizar
o Brasil para que possamos ser dignos colaboradores no esforço cultural
do Mundo, levando ajuda de nossa competência. (...) Não esquecer que
somos portadores de uma missão de Cultura. (...)
Não olvidar
a universalidade do interesse por tudo que seja humano e ligado à
dignidade do Espírito, da Personalidade, Justiça, a Liberdade, o
Respeito, o Decoro, a Tranqüilidade Moral. (...)
Assim, a
missão universitária; sua alma é preparar os valorizadores da
Civilização Brasileira, ampliadores das Culturas, em serviço da
Humanidade
Homenageado
Jornalista, escritor e
pesquisador, José Marques de Melo é Professor Emérito da Escola de
Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP),
instituição em que obteve os títulos de doutor, livre-docente,
professor-adjunto e professor catedrático de em Ciências da Comunicação
(Jornalismo). Atuou como pesquisador/professor visitante e proferiu
conferências em várias universidades estrangeiras. Atualmente é docente
do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP, sendo
titular da Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento
Regional. Fundou e presidiu a Sociedade Brasileira de Estudos
Interdisciplinares da Comunicação INTERCOM e a Rede Alfredo de
Carvalho de História da Mídia. É autor de inúmeros livros, dos quais os
mais recentes são: História do Pensamento Comunicacional (Paulus,
2003), História Social da Imprensa (EdiPUCRS, 2003), Jornalismo
Brasileiro (Sulina, 2003), A esfinge midiática (Paulus, 2004), Teoria
do Jornalismo (Paulus, 2006), Mídia e Cultura Popular (Paulus, 2008),
História Política das Ciências da Comunicação (Mauad, 2008). www.marquesdemelo.pro.br.
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