A Rede de Estudos e Pesquisa em Folkcomunicação - Rede Folkcom junto ao professor Roberto Benjamin (UFRPE) convida todos os pesquisadores da Folkcomunicaçlão e a comunidade acadêmica em geral a participar da elaboração do Dicionário Brasileiro de Folkcomunicação. O Dicionário busca "um repertório taxionômico que seja capaz de consolidar a Folkcomunicação como disciplina integrada ao universo das ciências da Comunicação".
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As propostas de verbetes devem ser enviadas diretamente ao professor Roberto Benjamin através do endereço de correio eletrônico:
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DICIONÁRIO BRASILEIRO DA FOLKCOMUNICAÇÃO E TERMOS AFINS
A elaboração do Dicionário brasileiro
da Folkcomunicação implica na construção de um repertório taxionômico que seja
capaz de consolidar a Folkcomunicação como disciplina integrada ao universo das
ciências da Comunicação.
Na elaboração dos verbetes se levará em
conta as definições de emprego usual, privilegiando, entretanto, as acepções de
caráter científico, devendo estar lastreadas por abonações indicadas na
literatura pertinente.
Busca-se a identificação de definições
científicas sintéticas que propiciem uma espécie de denominador comum aos
diferentes usuários.
Além dos verbetes específicos da
Folkcomunicação, serão incluídos outros verbetes procedentes de estudos afins,
indispensáveis à construção dessa taxionomia. Muitos deles, em razão de
procederem de diferentes disciplinas, parecerão ambivalentes ou polivalentes,
quando, na realidade, estarão tendo as suas definições direcionadas para o uso
nos estudos da Folkcomunicação, e não necessariamente nas conotações de uso
precedente.
O ponto de partida na elaboração do
Dicionário foi dado por José Marques de Melo, em ‘Mídia e cultura popular’, onde ele, ao tentar fazer uma atualização
da teoria da Folkcomunicação, estabeleceu termos e conceitos como ‘categoria’, ‘gênero’, ‘formato’ e ‘tipo’, a partir dos quais devem ser
analisados os fatos folkcomunicacionais e os conceitos teóricos a eles
relativos.
Marques foi específico ao apresentar
uma proposta de dicionário contextual
“para entender os tipos folkcomunicacionais
mais difundidos pela internet, como uma contribuição inicial para um possível
dicionário brasileiro da Folkcomunicação”, sugerindo a título de exemplo,
25 (vinte e cinco) vocábulos, que definiu e contextualizou, a maioria dos quais
segundo Câmara Cascudo.
A existência de glossários – como uma
lista de termos técnicos de uma ciência, ordenados alfabeticamente e com a
respectiva definição, que figura como apêndice de uma obra – teria sido de
grande utilidade se tivesse se concretizado nos estudos da Folkcomunicação.
Todavia, já agora é possível afirmar que verificamos a inexistência de
glossário na literatura acadêmica da Folkcomunicação, consultada na
bibliografia disponível. Assim, para a elaboração do Dicionário brasileiro da Folkcomunicação, torna-se necessário
resenhar – página por página – as obras específicas. Acresce que alguns autores
não conceituam os vocábulos que adotam, abusam da sinonímia e atribuem
significados variados às mesmas palavras. Procurando consultar alguns desses autores,
recebemos a recusa de definir os termos folkcomunicacionais usados em seus
trabalhos de doutoramento e outros escritos.
O trabalho de elaboração do Dicionário
foi iniciado com a revisão da proposta de José Marques de Melo e tem
prosseguido com a resenha de verbetes coletados na obra de Luiz Beltrão e nos
escritos de vários pesquisadores da Folkcomunicação (Adrielle da Costa, Alfredo
d´Almeida, Antônio Hohlfeldt, Antônio Teixeira Barros, Armindo Boll, Betânia
Maciel, Carlos Nogueira, Cristina Schmidt, Denis Reno, Elizete Kreutz, Emerson
Cervi, Esmeralda Villegas, Ester Marques, Fábio Corniani, Fabrício Silveira, Felipe
Pontes, Gisélia Castro, Hebe Gonçalves, Jaqueline Dourado, José Carlos Aronchi,
José Marques de Melo, Joseph Luyten, Karina Woitowicz, Marcelo Bronoski, Marcelo
Pires de Oliveira, Maria Cristina Gobbi, Maria Érica de Oliveira Lima, Marlei
Sigrist, Osvaldo Trigueiro, Renata Dias, Ricardo Talachia, Roberto Benjamin, Rosa
Nava, Samanta Castelo Branco, Sebastião Breguez, Sérgio Gadini, Severino Lucena
Filho)
Procuramos coletar, também, verbetes
pertinentes dos estudos afins, especialmente os da Ciência do Folclore (onde se
destacam os de Paulo de Carvalho-Neto, Câmara Cascudo, Théo Brandão, Vicente
Salles e Braulio do Nascimento) e os da Metodologia do Trabalho Científico.
O trabalho não se concluirá sem uma
ampla revisão vocabular com vistas à uniformização do seu texto.
Prof. Dr. Roberto Benjamin
Universidade
Federal Rural de Pernambuco
LETRA ‘V’
(levantamento preliminar)
Vaia *DicEletr *- Apupo, zombaria, chacota: saiu
debaixo de vaia.
Valentão *DicEletr *Que, ou aquele que é muito valente;
peitudo, bamba. / Ironic. Que, ou quem faz
ostentação de valentia; fanfarrão, jactancioso, gabola.
Valsa *DicEletr *- Dança de par, de salão, em compasso 3/4.
— A valsa evoluiu do Weller, dança camponesa alemã,
e do Laendler, dança tirolesa austríaca. A valsa
foi a dança mais popular do séc. XIX, e ainda tem muitos apreciadores.
Encontra-se também a valsa em muitas óperas e peças orquestrais. Hector
Berlioz, Wolfgang Amadeus Mozart, Maurice Ravel, Richard Strauss e muitos
outros introduziram valsas leves e alegres em suas composições. / Música que
acompanha essa dança.*
Folkcomunicação cinética
Vantagem *DicEletr *- Primazia, excelência. / Dianteira. /
Utilidade, proveito: tirar vantagem de tudo. /
Superioridade: aproveitou-se da vantagem que levava. //Bras. Contar vantagem,
gabar-se.
Vaqueiro *DicEletr *- Pastor ou guardador de gado vacum.
Vaquejada *RB * 1. Esporte popular originário do Nordeste do
Brasil que consiste, basicamente, na derrubada do boi por uma dupla de
cavaleiros, correndo paralelos ao animal, um deles com o encargo de prostrar o
boi puxando-o pelo rabo. 2. Denominação de festividade, também chamada de
“festa de vaquejada”, constante de eventos da cultura de massa onde se
encontram presentes os espetáculos musicais em palcos fixos ou móveis, a
exibição de vestuário ao estilo dos rodeios norteamericanos e as culinárias
regionais do Nordeste do Brasil. Tal festividade é promovida em razão da
própria vaquejada. Folkcomunicação
cinética
Vaquinha *DicEletr *- Rateio entre amigos, para pagamento de
uma despesa ou obrigação comum; vaca.
Variante *DicEletr *- Cada uma das formas de um texto, ou de
um vocábulo, em relação à mais usada ou tida por mais genuína. / Ramal de uma
via de comunicação projetado numa diretriz diversa do projeto original.
Variante *PC/RB 0001 *- 1. A parte da versão de uma peça que
se modifica quando ocorre o processo da variação. 2. Por extensão: a versão que
se apresenta com variantes em relação às versões anteriormente coletadas.
Expressão básica no folclore comparado. Repetição de uma mesma peça, com certas
modificações estilísticas, sejam fonéticas, morfológicas ou sintáticas. Estas
modificações se devem à dinâmica cultural, a uma mudança de portadores, às
influências do meio, falhas de memória e outros fatores. (Ver invariante,
performance e processos de variação.) De todos los colores / me gusta más el
verde es la cor de la esperanza / nunca
se pierde (Do Folclore Argentino) De todos los colores / prefiero el verde porque las esperanzas / nunca se pierden(Do Folclore Equatoriano) Não são
variantes o encadeamento, o tipo e os motivos. Em suma, variante é uma peça com
um conjunto de variações frente a outras versões similares, sem que as
variações determinem a desfiguração extrema ao ponto de produzir-se uma peça
completamente nova. Quando peças de regiões diferentes são idênticas em seus
pormenores, não constituem variantes, mas versões da mesma.
Variante *Pdn *- 1. Repetição de uma mesma peça com certas
modificações estilísticas, sejam fonéticas, morfológicas ou sintáticas. Estas
modificações se devem à dinâmica cultural, a uma mudança de portadores, às
influências do meio, falhas de memória e outros fatores. 2. Em lingüística são
diversas maneiras de se dizer a mesma coisa em um mesmo contexto e com o mesmo
valor de verdade.
Vedetismo *DicEletr *- Atitudes ou comportamento de vedete;
estrelismo.
Veiculo *DicEletr *- Tudo o que transmite alguma coisa;
condutor: o ar é o veículo do som. / Qualquer meio
utilizado para difundir uma mensagem publicitária. / Veículo
de divulgação ou de propaganda, qualquer
meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual (jornais, revistas, mala
direta, estações de rádio, de televisão, exibidores de cartazes etc.) que
recebem autorizações de inserção e divulgam mensagens de propaganda ao público
por preços fixados em suas tabelas.
Velório *RB *- Reunião sócio-religiosa
que consiste “montar guarda” ao defunto antes do sepultamento. É grande ocasião
para a expressão da folkcomunicação interpessoal.[i]*
Folkcomunicação cinética
Venerar *DicEletr *- Render culto a; reverenciar: venerar os santos. / Ter em grande consideração;
respeitar, acatar: venerar os pais.
Versal *DicEletr *- Diz-se, em tipografia, de, ou letra ou caracteres
maiúsculos.
Versalete *DicEletr *- Tipografia Versal
com a altura do tipo em caixa baixa.
Versão *DicEletr *- Ato ou efeito deverter. / Transcrição de um texto em outra língua; tradução. /
Maneira de contar, de interpretar um fato: há diferentes
versões do atentado.
Versão *PC/RB 0001 *- Peça de literatura oral. Não se confunde com variante.
Pode haver várias versões de um mesmo tipo ou um mesmo motivo sem que
constituam variantes entre si.
Verso (t) *PC/RB 0001 *- Cada linha de uma estrofe. Sinônimo de pé. Na
linguagem popular aparecem verso e pé como sinônimos de estrofe e,
genericamente, de poema, o que constituem imprecisões a ser evitadas na Ciência
do Folclore.
Verso *DicEletr *- Reunião de palavras medidas segundo certas regras
(cesura, rima etc.), ritmadas pela quantidade de sílabas, como em latim e grego
(versos métricos), ou pela acentuação, como em
alemão e inglês (versos rítmicos), ou pelo número,
como em português e francês (versos silábicos). /
Cada uma das linhas de um poema, independentemente da métrica em que estão
compostas. / O conjunto das composições poéticas; o gênero poético; a poesia
(por opos. à prosa). / Pop.
Qualquer quadra ou estrofe.
Vestuário *Infopedia* 1. Conjunto das peças com que as pessoas se podem
vestir, traje, indumentária. 2. Modo
de vestir.
Viola *Cravo Albin *Instrumento de cordas, semelhante ao
violão e que, no Brasil, assume várias versões sonoras, segundo as diversas
regiões onde é cultivada. Com o mesmo nome são designados, na língua
portuguesa, dois cordofones diferentes: a) um instrumento de arco, um pouco
maior que o violino e da mesma família dele, de que é o contralto, afinado em dó,
sol, ré, lá, do grave para o agudo, a viola de arco; b) um instrumento de
cordas duplas dedilhadas, um pouco menor que o violão, de que é um ancestral
afinado hoje geralmente em lá, ré, sol, si, mi, também do grave para o agudo, a
viola e arame. A viola de arco, componente indispensável da orquestra sinfônica
e do quarteto de cordas clássico, não é usada na música popular. Apesar de ter
uma sonoridade menos enérgica que a do violino, supera a deste último em
riqueza e calor emotivo.
A viola de cordas duplas dedilhadas, também chamadas
viola de arame, viola caipira ou viola sertaneja, componente indispensável das
cantorias sertanejas e da música rural, não é usada na orquestra sinfônica. Tem
maior sonoridade que o violão e timbre que lembra o do cravo. A viola caipira é
formada por dois planos de madeira paralelos, o tampo e as costas, constituídos
por dois bojos, o superior menor que o inferior, separados por uma cintura mais
ou menos pronunciada. O bojo superior é continuado por um braço no qual se
encontram doze casas ou trastes.
Deve ter sido o primeiro instrumento de corda que o
país conheceu. Foi introduzido no Brasil pelos colonizadores portugueses, no
século XVI. Os jesuítas, quando aqui chegaram em 1549, com o 1º Governador
Geral, Tomé de Souza, adotaram-no nas suas atividades missionárias e
difundiram-no entre os catecúmenos, ensinando os curumins a tocar e até a
construir o instrumento. O cultivo da viola de arame se desenvolveu e se mantém
em diversas regiões rurais do Brasil, assumindo várias especificações sonoras,
e estando presente em manifestações populares como, as cantorias, a folia de
reis, os ternos de congo, os reisados em Minas Gerais e no interior do Rio de
Janeiro, nas festas religiosas em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, em Minas
Gerais, e a São Gonçalo, em regiões rurais do sudeste e do nordeste e nas
festas de santos padroeiros.
Há um tipo de viola rural, no Centro-Oeste, a viola de
cocho, oriunda sem dúvida dessa aprendizagem. A viola de arame do século XVI,
muito difundida em Portugal, era um instrumento de quatro ordens de cordas
duplas, que já no início do século XVII ganhou mais uma ordem de cordas, com a
introdução de uma ordem mais grave. Passou a ter afinação geral lá, ré, sol,
si, mi. Foi esse tipo de instrumento que se fixou no interior do Brasil até
hoje. Usada por gente do campo, sem maior sofisticação de técnica instrumental,
a viola passou a utilizar muitas afinações diversas, que facilitavam a
digitação da mão esquerda sem exigir maior virtuosismo. Dizem os caipiras que
há 25 afinações diferentes. Câmara Cascudo afirma conhecer as seguintes:
cebolão, cebolinha, ré-abaixo, cartechana, quatro-pontos, oitavado, tempero
mineiro, tempero-pro-meio, guariano, guaianinho, temperão, som de guitarra,
guaianão, cana verde, do sossego, ponteado-do-Paraná. Para cantar moda, a
melhor afinação é a quatro-pontos, e para cururu é a afinação cana verde.
Cebolinha é boa também para moda. Cebolão muito usada para dança de cateretê.
Conservada no interior. a viola, no Brasil, passou a constituir-se como
instrumento de forte representação de várias culturas regionais, e, o violeiro,
figura representativa de nossa música de raiz.
Violeiro *Pdn *- 1. O instrumentista da viola. 2. No Nordeste,
é o cantador que se acompanha na viola nas cantorias.
Vodum (t) *PC/RB 0001 *- Segundo Sérgio Ferretti, os voduns “representam ancestrais divinizados ou forças
da natureza.Para muitos autores,
como Vergé, voduns e orixás são sinônimos”.[ii]
O termo é mais difundido no Benin, no Togo, no Haiti e no Maranhão.
Volantes
publicitários *Infopedia* Diz-se da folha escrita ou
impressa que não está ligada a outra. Folha solta. Folkcomunicação visual
Volta *Pdn *- Figuração coreográfica de diversas danças coletivas e
folguedos.
Votivo *DicEletr *- Relativo a voto. / Prometido ou ofertado em voto.
Voyeurismo *DicEletr *- Excitação apenas pela observação de contatos
íntimos praticada por outros.
Voz *Pdn *- 1. Conjunto de sons emitidos pelo homem quando o ar,
proveniente dos pulmões, atravessa a laringe e causa a vibração das cordas
vocais - a área da boca e do nariz atuando como câmara de ressonância. 2. Os
diferentes registros de timbre e tessitura vocal das pessoas: baixo, barítono,
tenor, contratenor, contralto, meio-soprano e soprano. 3. Por extensão, a
diferença de timbre dos instrumentos musicais. 4. Nos coros, os conjuntos de
portadores da mesma tessitura.
Voz em falsete *PC/RB 0001 *- Voz dissimulada de certos personagens
do teatro folclórico. Serve para ajudar na sua caracterização. Quase sempre
acompanha a máscara ou o disfarce. Há várias modalidades de voz em falsete.
Exemplos brasileiros: a "Catirina" do bumba-meu-boi; o
"Clóvis", mascarado do carnaval do Rio de Janeiro. (Ver Cáscia Frade
- requinta, da folia-de-reis)
[i]Parahym, Orlando.Ajudar a morrer. Recife: IJNPS, 1980.
(Micromonografia de Folclore, 100).
[ii]
Sérgio Figueiredo Ferretti. Voduns da Casa das Minas. in Carlos Eugênio
Marcondes de Moura (org.). Meu sinal
está no seu corpo. São Paulo: Edicom/EDUSP, 1989. p. 176-200.