Ilustrador faz releitura de cartas de Tarô com temática nordestina

O jovem ilustrador, designer e músico Pedro Indio Negro, 21 anos, cursa Comunicação em Mídias Digitais pela Universidade Federal da Paraíba, fez uma releitura das 22 tradicionais cartas de tarô (ou tarot) com a temática nordestina e a gente tem a honra de apresentar aqui em primeira mão!

De acordo com  Constantino K. Riemma:

“O Tarô pode, enfim, ser entendido como uma linguagem simbólica que traduz o cosmo em sua constituição e eterna mudança, em sua estrutura e dinâmica. Ele aparece na Europa, num momento em que várias escolas esotéricas e corporações de artistas, buscavam transmitir conhecimentos, não por palavras, mas por imagens que convidavam à reflexão, à investigação, para serem corretamente assimiladas. Os 22 arcanos maiores, entre outros significados possíveis, descreveriam as 21 etapas evolutivas que o homem – representado pelo Louco – pode percorrer em sua vida. O número 21 (= 3 x 7) também resulta da combinação de duas leis fundamentais do universo: a Lei de Três (“tudo, para existir, necessita de três forças”) e a Lei de Sete, ou Lei das Oitavas (“tudo se manifesta num processo de sete passos ou fases”). Do mesmo modo que outros grandes sistemas simbólicos, o Tarô é apreciado como uma instigante fonte de inspiração e de aplicação em variadas situações e propósitos”.

1. A MORTE

A carta que usualmente têm a simbologia de grandes mudanças, criação e destruição, é aqui representada no elemento Jaraguá – Figura fantástica, integrante do folguedo do mesmo nome e, costuma desfilar no Carnaval de rua, junto com boizinhos, bonecos e outras figuras. Como a do Maneiro-Pau também, do mineiro-pau, encontrados nas zonas rurais de Alagoas, Campos e São João da Barra, estado do Rio de Janeiro e, também, em áreas do litoral do Espírito Santo e sul da Bahia. O Jaraguá é uma das principais manifestações folclóricas da cidade de Anchieta, localizada no litoral sul do Espírito Santo.

Ilustração: Pedro Inac

2. A JUSTIÇA 

Representando a ordem, o equilíbrio, harmonia e clareza aparece a figura do Cacique, que é um dos membros mais importantes da tribo, sendo responsáveis pela ordem e bom funcionamento da comunidade indígena.

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

3.  A LUA

Simbologia que representa os ciclos vitais e emocionais foi representada por Violeiros duelando.

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

4. A ESTRELA

Carta que simboliza a esperança, a confiança e a bondade, representada pela figura da Índia.

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

5. O MUNDO

Significando realização, finalização e recompensa assim como êxtase, alegria e riqueza, a representação aparece na figura de uma Dançarina de forró e ícones musicais do nordeste.

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

6. A IMPERATRIZ

Criatividade, sucesso, amabilidade, fecundidade e sabedoria são representadas na imagem da Rainha do Maracatu (o Maracatu é um ritmo tradicional do nordeste do Brasil. Nas cidades Recife e Olinda, no coração do estado de Pernambuco, o maracatu desenvolveu-se a mais de 500 anos da musica e tradição das escravos proveniente da Africa).

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

7. A PAPISA

Intuição, piedade, paciência, meditação e fé foram representadas pela Baiana do acarajé (mulher de forte identificação com as religiões de matriz africana. Em 2012, as baianas foram reconhecidas como Patrimônio Imaterial da Bahia).

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

8. O DIABO

Figurando as tentações, provocações, a luxúria e o egoísmo temos a figura da lenda de Catirina (figura fundamental do Bumba meu boi, a escrava Catirina, grávida e desejosa, pede ao marido Chico (ou Pai Francisco) para comer língua de boi. O escravo atende ao desejo da esposa, matando o boi, e sendo preso a mando do dono da fazenda. Com a ajuda de curandeiros, o boi é então ressuscitado).

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

9. O CARRO 

Carta que simboliza a vitória, o triunfo, talento e competência foi representada pelo Mateus (personagem típico dos reisados – Folia de Reis, Reisado, ou Festa de Santos Reis é uma manifestação cultural religiosa festiva e classificada, no Brasil, como folclore; praticada pelos adeptos e simpatizantes do catolicismo).

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

10. O SOL

A vitalidade, clareza, calor, sucesso e os bons sentimentos da carta são representados na figura do Frevo (ritmo musical e uma dança brasileira com origem no estado de Pernambuco, misturando marcha, maxixe, dobrado e elementos da capoeira. Declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2012).

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

11. O MAGO 

O carta que simboliza o impulso criador, espontaneidade, destreza, habilidade e eloquência foram figuradas por João Grilo (personagem fictício dos contos populares de Portugal e do Brasil. Apareceu com destaque na Literatura de Cordel brasileira e, na condição de pícaro invencível, reapareceu na obra Auto da Compadecida, escrita por Ariano Suassuna em 1955).

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

12. O ENAMORADO

Envolvimento afetivo, livre arbítrio, união figuram nos ícones de  Coco de Roda (Dança tradicional do Nordeste, o coco de roda tem sua origem na união da cultura negra com os povos indígenas no Brasil. Ela é formada por uma roda onde, em pares, os participantes dançam conforme o ritmo do tirador, a pessoa que tira os cocos, que canta e improvisa versos no meio da roda. Os que participam da roda não precisam de uma vestimenta própria e podem dançar calçados ou descalços. Além disso, acompanham com palmas e tocam instrumentos de percussão, mas ajudam no canto apenas no refrão).

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

13. O LOUCO

A experiência de ultrapassar limites, espontaneidade, despreocupação representadas pela figura do Boneco de Olinda (chegaram ao Brasil com os portugueses, desfilando inicialmente em procissões e festividades religiosas na figura de bufões ou reproduzindo santos católicos. Em Olinda, a brincadeira começou com O Homem da Meia-Noite no ano de 1931. Segundo o conhecimento popular, todos os dias, exatamente à meia-noite, um homem muito bonito seguia a pé pela Rua do Bonsucesso).

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

14. A TORRE

A carta que representa mudanças, subversões, desmoronamento e liberdade aparecem na figura da Carranca (a presença das carrancas era marcante na proa das embarcações do rio São Francisco, do final do século XIX até meados do século XX. As figuras “zoantropomórficas”, meio bicho e meio gente, eram assustadoras, mas com o poder de espantar mau-olhado, espíritos brincalhões, azar e assombrações, de acordo com os moradores locais. Eles, também, contam que as carrancas eram capazes de afastar jacarés, que na época habitavam o rio, e outras coisas ruins. Os primeiros exemplares de que se tem notícia datam 1880).

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

15. A RODA DA FORTUNA

Carta que representa boa sorte, louvor, animação e bom humor aparecem na figura de uma Ciranda (dança muito conhecida como brincadeira infantil, porém na região Nordeste, principalmente em Pernambuco, é uma dança de rodas de adultos. Os participantes podem ser de várias faixas etárias e as crianças também podem participar. Típica das praias. Desde 1961 a ciranda faz parte de todas as festas folclóricas do Recife. É uma dança de roda, cantada e dirigida pelo Mestre Cirandeiro, responsável por tirar as cantigas. Forma-se uma roda e de mãos dadas todos seguem na batida do bumbo ou zabumba).

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

16. O JULGAMENTO

Simboliza a santidade, a exaltação espiritual e atos prodigiosos é representada pela figura do Caboclo de Lança (personagem do Maracatu Rural ou de Baque Solto – também conhecido como Maracatu de Orquestra. O Caboclo de Lança obedece a um ritual antes de sua apresentação, e toda sua vestimenta tem uma explicação, uma razão de ser. Há uma cerimônia em terreiros, com a bênção da lança e da flor que carrega na boca, além da consagração da calunga. Os homens cumprem uma abstinência sexual alguns dias antes da apresentação).

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

 

17. O PAPA

Carta que simboliza benção, moral, mansidão, equilíbrio e generosidade na figura do Babalorixá (o mais alto grau hierárquico, chefe do terreiro que também pode ser denominado Diretor de culto. Aquele ou aquela que dirige o terreiro e que exerce toda a responsabilidade espiritual dentro dele. É o pai ou a mãe-de-santo responsável pela feitura dos médiuns, os filhos-de-santo.)

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

18. O EREMITA

A austeridade, sobriedade, concentração e prudência que a carta representa aparece na imagem de Preto Velho (uma entidade de umbanda, espíritos que se apresentam em corpo fluídico de velhos africanos que viveram nas senzalas, majoritariamente como escravos que morreram no tronco ou de velhice, e que adoram contar as histórias do tempo do cativeiro. São divindades purificadas de antigos escravos africanos. Sábios, ternos e pacientes, dão o amor, a fé e a esperança aos “seus filhos”. São entidades que tiveram, pela sua idade avançada, o poder e o segredo de viver longamente através da sua sabedoria, apesar da rudeza do cativeiro demonstram fé para suportar as amarguras da vida, consequentemente são espíritos guias de elevada sabedoria).

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

19. O IMPERADOR

Carta que significa poder, governo, firmeza e autoridade aparece na imagem de um Vaqueiro do Sertão nordestino.

 

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

 

20.  A FORÇA

Simboliza a força moral, resistência e coragem na figura de Maria Bonita (Maria Gomes de Oliveira foi uma mulher polêmica. De temperamento forte, foi pioneira no seu métier, cangaceira. Ela entrou no cangaço com 18 anos, e morreu menos de nove anos depois, em 28 de julho de 1938, junto com Lampião e mais nove cangaceiros na Grota do Angico, em Poço Redondo, Sergipe).

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

 

21. O PENDURADO

A abnegação, aceitação do destino, sacrifício aparecem na imagem de um Pescador de Caranguejos (O caranguejo além de ser um dos componentes mais característicos do ecossistema manguezal no Brasil, assume uma notável importância socioeconômica ao longo do litoral nordestino).

Ilustração: Pedro Inac

Ilustração: Pedro Negro Índio

 

22. A TEMPERANÇA

Tolerância, paciência, praticidade, aceitação dos acontecimentos na figura da Lavadeira do rio, (a história das lavadeiras começou por volta dos anos 60, quando donas de casa e suas filhas lavavam as roupas no rio, ou buscassem água para lavá-las em casa. Ao lavarem as suas vestimentas no rio, as mulheres da cidade se inspiravam nos canoeiros que passavam pela região e cantavam para entrar em sintonia no ritmo das remadas).

Ilustração: Pedro Negro Índio

Ilustração: Pedro Negro Índio

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Fonte: Site Sobre o Tatame.

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