Folkcomunicação é destaque em evento científico

fits.jpgA Folkcomunicação foi o destaque da Segunda Semana de Pesquisa e Extensão (SEMPEX)  da Faculdade Integrada Tiradentes (Fits) , realizada entre os dias 10 e 12 de novembro de 2008, em Maceió, Alagoas. Com a participação dos professores José Marques de Melo e Betania Maciel, pesquisadores da Rede Folkcom , o evento discutiu a centralidade de pesquisa e extensão dentro de sua proposta de ensino superior, com a realização de palestras, oficinas e a apresentação dos trabalhos produzidos por professores e alunos.
Veja as fotos do evento .

José Marques de Melo, pesquisador da Rede Folkcom, diretor da Cátedra Unesco/UMESP de Cmunicação para o Desenvolvimento Regional abriu o evento com a palestra “Ciência, sustentabilidade e cidadania”. Alagoano mas osmopolita em sua experiência de vida, o professor Marques ressaltou a possibilidade repartir com seus conterrâneos o seu conhecimento e experiência de atividade intelectual.

 

Em sua palestra, o professor Marques discutiu como o jornalismo, em uma sociedade “encurtada pela mídia” passa a ter um lugar privilegiado dentro da produção científica. Como fenômeno social estudado cientificametne há mais de 00 anos e fruto do conhecimento sistemático, o jornalismo, assim como a ciência, tem como objetivos a cidadania e  participação democrática, sendo portanto um pilar da sustentabilidade. No século XXI, um dos grandes desafios do ornalismo partiicipar de uma mudança na dimensão econômica com  a geração e riquezas e da distribuição destas equitativamente.
Para Marques de Melo, jornalismo e ciência compartem critérios essenciais, como os referencias éticos de veracidade, credibilidade e verossimilidade, devento nunca transgredir a fronteira entre ficção e realidade. Além disso ambas formas de conhecimento se ancoram sobre o conceito de liberdade, seja de informação como de opinião.lPorém liberdade com responsabilidade dentro de limites estabelecidos dentro do jogo democrático. Finalmente, ressaltou que atividade científica é dominada po  paradigmas dominantes. Na ciência. um novo paradigma

deve vencer a barreira de recursos, que são escassos e que são aplicados neste paradigma dominante e naqueles projetos que tenham maior relevância e impacto para a sociedade. E é justametente neste ponto, segundo José Marques de Melo, que a iniciação científica abre possibilidades de pesquisa ousadas do ponto de vista temático e  deológico, mesmo que não levem a resultados palpáveis podem conduzir à repercussões futuras. Somada  a este potencial de inovação, a função da universidade é formar cidadãos com conhecimento atualizado e capacidade crítica para a construção de uma cidadania melhor.

Já na sessão da noite, de forma inovadora a organização do evento chamou os dois pesquisadores da Rede Folkcom a estabelecer um diálogo construtivo e complementar, em uma conferência conjunta. O professor Marques de Melo essaltou o papel de Marshall McLuhan e seu livro “The mechanical bride” como uma das bases teóricas da oFlkcomunicação, na media em que a cultura de massa ancorada na cultura popular transmitiu valores da sociedade americana aos imigrantes, em um processo de americanização, baseado no “folklore do homem industrial”.

 

Luiz Beltrão, entretanto, percorre um processo, na medida em que no Brasil a mídia nasce elitisita, exigindo a necessidade de descodificação por parte das camadas populares. Como exemplo, Assis Chateubriand inicia as transmissões da televisão distribuindo aparelhos para membros da alta classe paulistana. Aos excluídos, caberia o papel de criar suas próprias formas de manifestação e de interpretação da realidade, com o uso das manifestações populares e folclóricas. Devido a este viés ideológico, o trabalho de trabalho de Luiz Beltrão foi “mutilado”, pois sua parte teórica foi considerada subvenção, durante os anos da ditadura militar.

 

O professsor Marques exemplificou o processo através da comunicação religiosa entendida como “manifestação olkmidiática”, particularmente a utilização do ex-voto como uma forma criativa de levar as mensagens das camadas menos favorecidas. Finalmente um levantamento na Internet mostrou uma firme presença destas manifestações como a tatuagem, o funk carioca, o rap paulista, a vaquejada, as lenda urbanas, o canto de trabalho, o forró, o comício político. Enquanto isso, a literatura de cordel ou o ex-voto, veículos clássicos da Folkcomunicação,possuem menor representação. Curiosamente, estas manifestações são importadas, chegando ao Brasil como “colonizadores antigos ou com os modernos”.

 

Ao possuirem comunidades virtuais vinculadas a estes tipos de expressão, mostrando que elas permanecem vivas como manifestações culturais, confirma-se a tese de Beltrão de que os grupos culturalmente marginalizados posseum soua própria forma de comunicação, como forma de contestação à moral vigente. E uma nova frente da Folkcomunicação, é representada pelos jovens e por aqueles associados a estilos de vida alternativos, como a cultura GLSBT e a pornografia.

 

Dando continuidade ao debate, a professora Betania Maciel, presidente da Rede Folkcom, estabelecu uma ponte entre a comunicação dos excluídos e o conceito de sustentabilidade e a necessidade de repensar aos conflitos econômicos, mbientais e sociais. Segundo a pesquisadora, em uma sociedade onde o o acesso à informação é desigual, a nexistência de canais para discutir estes problemas com a população mais afetada por eles  e contribui para gravá-los.

 

Neste sentido, os meios de comunicação possuem um papel ativo, mas como as comunidades excluídas terão acesso a ela? A professora Betania mostrou exemplos de manifestações culturais com temáticas ligadas à ciência e tecnologia cujo objetivo seriam apresentar e discutir os avanços tecnológicos. Entre pos exemplos, cordéis e cantorias populares tratando de temas como as tecnologias reprodutivas, agressões ao meio ambiente, utilização de agrotóxicos além de questões de fundo político como o monopólio do petróleo e o   software livre. Junto à Folkmídia, ou seja, a forma como a a publicidade, a indústria cultural e a mídia massiva se apropriam de elementos culturais como as festas, símbolos e rituais, a Folkcomunicação deverá ter um importante papel no desenvolvimento sustentável, necessitando portando de pesquisa por parte da comunidade acadêmica.

 

Em conjunto, os dois pesquisadores traçaram um panorama atual da contribuição da Folkcomunicação para a cidadania, a sustentabilidade e o desenvolvimento científico e tecnológico, apresentando ao mesmo tempo o trabalho da Rede Folkcom para uma nova e engajada geração de universitários.

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