Festas Populares, mídia e turismo

ze testinha quadilha juninaO professor e pesquisador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e membro da Rede de Estudos e Pesquisa em Folkcomunicação – Rede Folkcom – professor Osvaldo Trigueiro analisa neste artigo de opinião a transformação das festas populares juninas do Nordeste frente à globalização.


Mais uma vez surgiu a polêmica sobre as apresentações das quadrilhas juninas nos festivais e encontros, se são tradicionais, se são estilizadas, estão mais parecidas com as escolas de samba do Rio de Janeiro ou mesmo com bloco de carnaval. Não importa o que seja, mas, que são apresentações que atraem públicos, elevam a auto-estima dos seus brincantes na maioria jovens que moram nas periferias das grandes cidades, disso tenho certeza, principalmente, depois que observei, este ano o evento promovido pela Prefeitura Municipal de João Pessoa no Centro Histórico, em 2007 as apresentações no Parque do Povo em Campina Grande e nas minhas andanças por diferentes cidades, de menor porte, do interior nordestino. Os festivais, os encontros de quadrilhas juninas se espalham por quase toda a região como um novo espetáculo e todo espetáculo tem três componentes fundamentais: o espaço, o tempo e o movimento de apresentação. Mas, na sociedade contemporânea emerge um quarto componente essencial, o midiático, que quase sempre determina um novo espaço, um novo tempo e um novo movimento para as apresentações dos espetáculos, especialmente para as transmissões da televisão ao vivo, isso acontece no carnaval do Sambódromo, no festival do Boi em Parintins, na festa de Rodeio em Barretos e em tantas outras festas populares brasileiras. Evidentemente as festas juninas no Nordeste não poderiam ficar de fora do jogo de interesse político e econômico da sociedade globalizada.  Antes de criticar as atuais quadrilhas é necessário conhecer quais são as origens das nossas festas populares, de onde vieram as nossas manifestações culturais tradicionais, como surgiram na Península Ibérica e como chegaram no Brasil. São questionamentos que necessitam de melhores reflexões dos estudiosos, dos pesquisadores e dos agentes responsáveis pela administração das políticas públicas para as culturas tradicionais, por que o povo está interessado mesmo é em festejar os santos juninos.

Sabe-se, através da história, que na Idade Média os povos celebravam festas para aos deuses pagãos nas mudanças das estações do ano, no antigo Egito em homenagem a deusa da castidade Isis, em Roma ao deus do vinho Baco e assim foram se espalhando as festas dionisíacas, lupercais, saturnais, charivaris ou assuadas que eram festas com suas inversões dos valores morais, com os cortejos jocosos, das alegorias e das extravagâncias. Ou seja, as festas das mudanças de estações do ano, que predominaram na Europa antiga por longos períodos, sempre foram espetáculos de carnavalizações, das fantasias grotescas, com muitas cores, irreverências e de personagens patéticas. A passagem da primavera para o verão é a melhor época para a colheita das plantas mágicas com seus poderes de cura e nesta agenda de festividades, das crenças populares estavam as comemorações ao solstício de verão no hemisfério norte e aqui chegavam  com os colonizados em forma de festa religiosa e profana  não para comemorar a chegada  do inverno no hemisfério sul, que sempre ocorre entre os dias 20 e 24 de junho, mas para celebrar os santos católicos: Santo Antonio, São João e São Pedro. Portanto, não basta fazer crítica, é necessário entender a evolução das nossas festas populares, situá-las nos diferentes contextos socioeconômicos, nos espaços/tempos/movimentos do público e privado, da casa e da rua, cada vez mais influenciada pela sociedade midiática. O encontro de quadrilhas realizado em João Pessoa levou centenas de pessoas a lotar as arquibancadas, as torcidas organizadas respeitavam o regulamento da competição, tinham a sua hora de aplaudir e a de vaiar. O pouco espaço para tanta gente, a deficiência do som que não possibilitava maior nitidez nos diálogos das encenações dos casamentos matutos ou dos marcadores que comandavam os movimentos das danças, foram superados pelo desejo de cada torcia de vibrar com a apresentação da quadrilha do seu bairro.  Mesmo assim, o festival foi um sucesso de público e, de certa forma, de organização.  Agora é necessário mais criatividade nas apresentações das quadrilhas para não ficarem na mesmice, uma quadrilha copiando a outra, com encenações teatrais longas e mal dirigidas causando uma certa impaciência no público, por que o ritmo do espetáculo cai e muitas das vez não se ouve quase nada dos diálogos dos seus personagens.

Para finalizar trago algumas sugestões na tentativa de minimizar a polêmica entre o moderno e o tradicional das quadrilhas juninas que poderão se apresentar com coreografias híbridas nos festivais, nos encontros e competições. Ou seja, além do casamento matuto, que é obrigatório pelos atuais regulamentos do evento, incluir também, algumas partes das quadrilhas tradicionais tais como: anavatur, anarriê, travessê de cavalheiros, travessê de damas, balancê vis a vis, balancê de pares, retornê a seus lugares, olhe a chuva, olhe o caminho da roça, olhe o túnel, olhe o passeio, preparar para o “X” e por aí vai, que poderiam ser agregadas de alguns valores culturais contemporâneos. Com a globalização cultural ao invés da propalada extinão das culturas tradicionais o que estamos vendo são suas ressignificações para atender as demandas de consumo de bens culturais, para o turismo e para a mídia, com suas formas hibridas do global/local. Aqui chamo atenção para a quadrilha de “Zé Testinha”, do Ceará, a vencedora do Festival Nordestino de Quadrilhas de 2008, realizado em Aracaju

Para finalizar trago algumas sugestões na tentativa de minimizar a polêmica entre o moderno e o tradicional das quadrilhas juninas que poderão se apresentar com coreografias híbridas nos festivais, nos encontros e competições. Ou seja, além do casamento matuto, que é obrigatório pelos atuais regulamentos do evento, incluir também, algumas partes das quadrilhas tradicionais tais como: anavatur, anarriê, travessê de cavalheiros, travessê de damas, balancê vis a vis, balancê de pares, retornê a seus lugares, olhe a chuva, olhe o caminho da roça, olhe o túnel, olhe o passeio, preparar para o “X” e por aí vai, que poderiam ser agregadas de alguns valores culturais contemporâneos. Com a globalização cultural ao invés da propalada extinção das culturas tradicionais o que estamos vendo são suas ressignificações para atender as demandas de consumo de bens culturais, para o turismo e para a mídia, com suas formas hibridas do global/local. Aqui chamo atenção para a quadrilha de “Zé Testinha”, do Ceará, a vencedora do Festival Nordestino de Quadrilhas de 2008, realizado em Aracaju.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *