Com novas propostas, Folkcom 2018 se destaca por ampla variedade de temas relacionados à teoria beltraniana

Realizada entre os dias 25 e 27 de junho, em Parintins, no Amazonas, a XIX Conferência Brasileira de Folkcomunicação, que comemora este ano o centenário de Luiz Beltrão, trouxe novas propostas a fim de aproximar, ainda mais, a teoria beltraniana à outros temas da comunicação social.

Foto: Glenda Dinely

Como o tema “Folkcomunicação, Ancestralidade e Desenvolvimento Local”, o evento teve como discussão principal foi a folkcomunicação na Amazônia. Convidado a participar de uma das mesas temáticas, o doutorando em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Rafael Lopes, levou uma discussão a partir do seu trabalho sobre Rede e processos colaborativos e criativos na produção e circulação de filmes amazonenses.

Segundo ele, é importante compreender como foi construído o imaginário hegemônico sobre a Amazônia e quais as influências que isso recebeu do processo socioeconômico, por meio dos relatos construídos pelos colonizadores e propagados por diferentes meios de difusão. “Busco entender em função das transformações tecnológicas, como os jovens cineastas alto de datas que não tem acesso aos meios tradicionais de transmissão criam estratégias para produzir suas obras audiovisuais e a partir disso, retratar a sua realidade por meio de seus próprios olhares”, relata.

O Encontro proporcionou também, oficinas com temáticas voltadas à produção audiovisual, pesquisa e o mercado comunicacional no Amazonas, redes sociais e a construção da identidade. Ao todo, sete oficinais compuseram a programação.

A atual docente do Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural (POSMEX) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e ex-diretora da Rede Folkcom, Betânia Maciel, propôs trabalhar a inclusão digital na perspectiva da inclusão social. A oficina, que será ministrada no último dia do evento, abordará a Folkcomunicação no viés da identidade e das redes sociais. Segundo a professora, essa discussão é o resultado de uma pesquisa que Betânia já vem trabalhando desde o ano passado.

“As classes subalternadas, marginalizadas, como diria Luiz Beltrão, têm criado um espaço cultural dentro das redes sociais. O discurso que elas passam, de acordo com a teria de Beltrão, é justamente o discurso da periferia chegando até as mídias hegemônicas. Então, a agente ta utilizando as redes sociais como forma de inclusão e de espaço público onde, como todo espaço novo, ta começando a criar as suas regras e sua forma de alcançar toda a sociedade”, conta ela.

A oficina ‘Jornalismo cultural e folkcomunicação’ ministrada pela professora da Universidade Estadual de Ponta Grosa/PR (UEPG), Karina Janz Woitowicz, fez um diálogo da teoria beltraniana com o jornalismo cultural. Segundo Karina, essa aproximação é fruto de um projeto que ela já vem desenvolvendo com os alunos do curso de Jornalismo da UEPG.

“A ideia é mostrar de que modo a teoria da folkcomunicação nos propõe uma visão de cultura que tem muito o que contribuir nos estudos de jornalismo e até mesmo na prática e na produção jornalística. E a intensão é trabalhar também com alguns tipos de produção jornalística bem presentes no jornalismo cultural, como por exemplo as próprias reportagens de perfil trazendo perfis de pessoas e de lugares como uma maneira de retratar a cultura popular”, disse ela.

Coordenador geral da Folkcom 2018, Allan Rodrigues. | Foto: Glenda Dinely

A programação do evento mostrou uma pluralidade de temas que se relacionam diretamente com a Folkcomunicação. De acordo com o coordenador geral evento, Allan Rodrigues, a teoria beltraniana sofre atualizações constantemente e essas mudanças possibilitam que a teoria se aproxime cada vez mais de novos objetos de estudo. “As pessoas que deram continuidade ao trabalho de Beltrão conseguiram não só ampliar a teoria como analisar esses novos objetos e dar a ela contemporaneidade, e os trabalhos do evento mostram essa multiplicidade”.

A participação de pesquisadores de diversos locais do Brasil foi intensa e, consequentemente, possibilitou novos olhares e possibilidades. Questionada sobre sua vinda a Parintins, a mestranda em Comunicação pela Universidade Católica de Brasília, Ana Paula Miranda, conta que sua participação foi motivada por alguns fatores decisivos.

“A folkcomunicação é a teoria que eu vou utilizar na minha dissertação e conhecer pesquisadores dessa área, em especial o Lucena Filho, me motivou ainda mais. Outro ponto que muito me incentivou bastante foi a organização do evento, que tem sido satisfatória, em ter demonstrado compromisso e respeito aos participantes”, revelou Ana Paula.

O encerramento geral da Fokcom 2018 será nesta quarta-feira, 27, no Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia (ICSEZ), campus da UFAM em Parintins/AM. Para outras informações, acesse o site oficial do evento.

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