Bicicletas-pão e o Folkmarketing

bicicletas-apO uso da bicicleta como estratégia de folk-marketing (marketing informal e popular) revitalizou uma antiga forma de vendas em Belo Horizonte.  o bicicletopão-balaio, a nova arma estratégica das padarias para alavancar a venda do pão. As bicicletas circulam pela manhã de 6 às 8hs e à tarde de 15 às 17hs. Na década de 1950, na capital mineira e no interior, era comum a venda de pão nas bicicletas. Com a crise e desemprego, elas voltam a cena urbana com novas atrações e despenho. Mais de mil balaieiros circulam pelos bairros da periferia e centro de Belo Horizonte. Estima-se que 35% de todo o produto consumido na capital atualmente sejam fornecidos por eles.

Comuns no passado, os entregadores de pão, carregados em balaios, de bicicleta, estão de volta a BH. Segundo o Sindicato das Indústrias de Panificação, já são responsáveis pelo fornecimento de 35% do produto na capital. Eles vendem por unidade e não por peso, em desrespeito a portaria federal. Mas clientes gostam de receber o pão na porta de casa. Também é comum em Belo Horizonte e no interior do estado, a entrega de compras do supermercado, do sacolão ou do açougue pelas bicicletas.

O aumento do uso da bicicleta para todas as finalidades já se faz parte da cena urbana de Belo Horizonte e interior do estado. Atualmente se vêm mais pessoas andando de bicicleta para trabalhar, para praticar esporte, para entregar mercadorias e até mesmo para fazer publicidade comercial ou institucional. Agora a onda é das padarias e em quase todos os bairros utilizam a bicicleta e sua buzina como estratégia folkcomunicacional para vender pão.  
Os entregadores de pão, espécie de delivery à moda antiga, invadem as ruas dos bairros pelas manhãs e tarde com suas buzinas anunciando o pão quentinho. São mais um personagem da cena urbana. Chamados de balaieiros ou cesteiros – por causa dos enormes balaios ou cestas que carregam na garupa das bicicletas –, já existem mais de mil deles circulando em bairros da periferia e próximos ao Centro, como Floresta, Padre Eustáquio, Prado, Santa Amélia, Santa Branca, Venda Nova e outros. De manhã ou ao cair da tarde, eles atraem os clientes, tocando a buzina já característica e deixando o pão quentinho na porta. Concorrem diretamente com as padarias estabelecidas em endereço fixo, que calculam que 35% do pão consumido hoje na capital sejam fornecidos por ambulantes, segundo o Sindicato das Indústrias de Panificação de Minas Gerais.

O ressurgimento da profissão dos balaieiros, formada por pessoas desempregadas, em sua maioria jovens, não é fenômeno único de Minas. “No Nordeste, a proporção chega a 50%, prejudicando o segmento da panificação”, informa Luiz Carlos Caio Xavier Carneiro, presidente do sindicato. Ele lembra que os balaieiros descumprem a Portaria 146, do Inmetro, que obrigou as padarias a venderem o pão a peso, válida desde junho do ano passado para todo o país. “Eles continuam oferecendo a unidade a R$ 0,25 e o cliente fica sem a garantia de que o pão de sal pesa realmente 50 gramas.

Para burlar a regra, Basta deixar o pão crescer mais no forno e vendê-lo com uma gramatura menor, como por exemplo 30 gramas, cobrando o mesmo valor”, compara Carneiro.

Tarcísio Moreira, diretor da Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), observa que os balaieiros vendem o pão fabricado tanto por padarias legalizadas, que fazem concorrência desleal, quanto por estabelecimentos clandestinos. “É o caso de uma padaria perto da Avenida dos Andradas, que não tem placa e atende por uma janela. O movimento de balaieiros é intenso no lugar e as condições de higiene são péssimas”, denuncia. Ele reconhece que não há como fugir do delivery em tempos modernos, mas lembra que as panificadoras cobram taxa mínima de R$ 3 para cobrir as despesas com motoboy. “Não compensa para o cliente, pois fica mais caro do que o pão”, compara.

Alheia à polêmica, a dona-de-casa Elza Ferreira Alves, de 90 anos, agradece aos céus a visita diária do balaieiro em sua casa amarela, no Prado. Desde a chegada do serviço no bairro, há quatro anos, ela nunca mais teve necessidade de comer pão “dormido”. “Antes, meus filhos traziam o pão para mim, mas quando dava”, revela. Hoje, ao ouvir o som da buzina, a idosa vem descendo devagar as escadas. Na porta, Gilmar Rodrigues Souza, de 22 anos, espera pacientemente. Ele conta o dinheiro da idosa, que já não enxerga bem, e entrega pão doce e bolo de laranja, pois já conhece as suas preferências. “Ela não gosta do de cenoura”, diz Gilmar, que trabalha com dois irmãos no Prado. Todos os dias, anda 16 quarteirões no turno da manhã (entre 6h e 10h30) e repete o trajeto entre 13h e 21h. Cobra entre R$ 0,20 e R$ 0,30 pelo pãozinho francês, transportado no balaio de 1m de comprimento, forrado com panos brancos e coberto com plástico transparente.

Um dos fornecedores de Gilmar é a tradicional Padaria Prado, fundada há mais de 50 anos no bairro de mesmo nome. “Não tenho nada a ver com os balaieiros. Eles apenas compram na minha mão e revendem”, garante Dalma de Carvalho, uma das donas da empresa familiar. Segundo ela, os quatro cesteiros do Prado “roubaram” todos os seus clientes do bairro. “Mas não tem problema, porque é o meu pão mesmo que eles vendem”, reconhece, em seguida.

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