A origem do presépio

Presépio de Mariza Figueiredo. Foto: João Guilherme Curado.

Presépio de Mariza Figueiredo. Foto: João Guilherme Curado.

O presépio, do latim — proesepium, estábulo ou proesoepe, manjedoura — tem tradução e veneração nas regiões católicas. O objetivo é tornar a liturgia do Natal mais acessível e, portanto, mais pró­xima dos fiéis, através das represen­tações da cena de adoração ao menino Deus na manjedoura, em Belém. São Francisco de Assis, em 1223, é responsável pela organização do primeiro presépio, repercutindo por todo o mundo e sendo reproduzido pelos conventos, igrejas e pelo povo. Por isso é tido como o patrono universal do presépio e os frades franciscanos os responsáveis pela sua popularização ao promoverem e valorizarem o culto à natividade

Escalonados e perspectivados, os presépios desenvolvem-se agrupando os núcleos fun­damentais da narrativa cristã, apresentada em figuras de tamanho variados. Desta forma é representada a sagrada família formada por Jesus menino deitado na manjedoura, nos braços de Maria, ou de pé e José ao lado; estes rodeados por animais como o boi, o burro e as ovelhas; a orquestra angelical; os pastores e os Reis Magos.

Os presépios refletem os lugares onde são montados, sendo por isso possível definir algumas tipologias, particularmente identificáveis pelo numeroso e diversificado conjunto de figuras do povo, que constituem os planos secundários, com registros de cenas do quotidiano.  De for­ma simplificada, pode-se associar ambientes campestres, grutas e mon­tes, arquiteturas urbanas com casas postadas nas encostas, cenas de ofícios variados, dentre outros. A criação destes cenários natalinos extrapola a estrutura religiosa, sendo, contudo, reveladores de situações sociais e crenças que compõem o contexto do imaginário do lugar onde estão inseridos.

Desde o período colonial tem-se notícias de presépios no Brasil, montados nas igrejas e principalmente nas residências particulares. A data de montagem dos presépios é oito de dezembro, dia da Imaculada Conceição, e o desmonte em seis de janeiro, no dia consagrado aos Santos Reis; ao longo deste tempo estes atraem visitas para observação do cenário e devotos que rezam e cantam diante do presépio. São vários os rituais em torno desta encenação que vão desde a reza do terço, muitas vezes cantados, passando pelo culto ao Deus menino com rituais próprios no dia 25 de dezembro e 01 de janeiro até os famosos giros das folias de reis,  bastante difundidos pelo interior do Brasil.

Segundo Câmara Cascudo (1972), desapareceu o costume de entrechos como as Lapinhas, ou pastoris, que, representadas por pastoras divididas nos cordões azul e vermelho, cantavam diante dos presépios. Em Pirenópolis, cidade goiana do período da mineração do ouro, os presépios são bastante difundidos e ainda se conserva a tradição da realização da Revista As Pastorinhas, cujo enredo narra a jornada de um grupo de pastores à Belém. Um fato interessante é que este auto natalino ocorre no período de Pentecostes, quando acontece o festejo maior da cidade, a Festa do Divino Espírito Santo.

Fonte: http://www.revistaohun.ufba.br/PDFs/artigo8.pdf (acesso 23/11/08).
CASCUDO, Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 3ª ed. Rio de Janeiro, Tecnoprint, 1972.
Texto: Tereza Caroline Lôbo

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